LETRAS:

TRECHEIROS
Silo Sotil e Zé Siqueira

Lanço a sorte, venço o vento
Da distância temo o tempo
A mulher a lamentar
Minha cria minha sina

A cada ponto de chegada
Novo ponto de partida
Espera
Cansa
Todo dia era sempre
O mesmo dia
Que eu via passar

Foi querendo encontrar
Em meio ao caos e a solidão
Um remanso, um lugar
Pra inverter a situação

A cada ponto de chegada
Novo ponto de partida
Espera cansa

Foi querendo encontrar
Sou errante sonhador
Madame ao me ver passar
Me enxerga com horror

Mas e se eu lhe contar
Ouça bem o que eu sou
Sou trecheiro a procurar
Sou trecheiro cantador
Sou trecheiro a batalhar
Sou trecheiro brigador
Sou trecheiro e vim lutar
Por uma vida sem favor

CIRCO E... CADÊ O PÃO?
Zé Siqueira

Tia falou que é presente
Chamou um bocado de gente
Que era pra comemorar
Chegou toda sorridente
Anel, pulseira e corrente
Só simpatia no olhar

Nego chegou lá na praça
O povo em estado de graça
Era festa até o dia raiar
Pandeiro quentando no fogo
Coreiro e coreira no jogo
Guarnicê que o show vai começar

Cachaça
De graça
E a massa
Tava lá
E a tia
Sorria
E via
Que o Maranhão era dela

À QUEIMA ROUPA
Silo Sotil

Mover, mover
O canto, a engrenagem, um pó
Cantar, cantar
De quebra a alegria de quem tem
O dom, o dom
De saber agir na hora H
Vencer, vencer
O contratempo e a alegria de estar
Na hora e no lugar e não saber
Lugar e hora pra fazer entender e enxergar

Que um tiro à queima roupa o corpo cai no samba
Busca ajuda e razão de quem faz
O sentimento angustiante de quem continua a ver de longe em pé
Esperando uma saída e se livrar
Do sentimento angustiante de quem tem direito e
Sem revidar

E no final é a bandidagem que socorre
E no final é a bandidagem quem socorre